domingo, 25 de abril de 2010

O último dia


 Ah, que beleza... meu último dia de trabalho antes que eu entre de férias
 O dia de hoje me ensinou mais que em um ano todo.
 Sim, pra quem não acredita em dias intensos, esse foi um deles, é verdade.
 Lá estava eu, seguindo minha rotina como um dia qualquer, quando subitamente fui surpreendido por um carro.
 Quanto azar... conseguir ser atropelado em uma cidadezinha de quinze mil habitantes, cidadezinha essa que nem transito tem, quem dirá acidentes.
 Bom, mas foi basicamente isso, eu não me recordo de tudo com detalhes, essas coisas sempre são tão rápidas, lembro-me de ficar estendido no chão, imóvel, rodeado por dezenas de pessoas que saíram não sei de onde.
 Alguns me diziam pra eu não me mexer, porém eu jamais me mexeria em um caso desse.
 Outros apenas me observavam, confesso que é muito estranho ser observado, ainda mais em uma situação como essa, mas nessa altura eu já não me importava mais.
 Não digo que estive próximo da morte, mas poderia ter acontecido.
 Já no hospital eu imaginei os acidentados graves, e em como a família reage em situações como essa, até então eu não havia ligado pra minha mãe.
 Muitas coisas nos vem à cabeça, e eu me lembrei de "Parceiros da vida" uma série de TV que acompanhei até o ultimo capítulo, em um dos episódios uma paramédica morre em um acidente de carro, mas antes de morrer ela olha para o seu parceiro e pensando na mãe, diz:
- Minha mãe...diga que eu não sofri.
 Eu não tive coragem de ligar pra casa, apenas cheguei em uma ambulância com a perna enfaixada, surpreendentemente minha mãe já sabia, não que alguém tivesse dito a ela, não! Ela apenas já sabia, ela sentiu que algo havia acontecido e me recebeu sem muitas surpresas, mas extremamente acolhedora.
 Já meu irmão, esse sim, chorou ao me ver, chorou alto, e isso foi comovente.
 Fiquei surpreso, mas isso é oque acontece quando você ama uma pessoa, você se sente incomodado ao pensar que poderia perdê-la.
 Eu amo minha família, e talvez essa seja a época mais feliz da minha vida até agora, pois eu tenho tudo que preciso bem aqui.

 Ao terminar esse texto eu entrei no twitter, e lá meu irmão havia escrito algo algumas horas antes:
Eu fico muito tempo em casa... Fico falando sozinho, mas meu irmão vai entrar de férias esse mês, aí falo com ele."

6 comentários:

Mundo do Gê disse...

Nossa Rafael, fiquei comovido com teu texto...pois vermos o amor através de lágrimas, de quem amamos e nos ama tbm como seu irmão o fez... faz com que a vida valha à pena...
Fico sentido por seu acidente, e espero que não tenha sofrido nenhum ferimento grave...mas apesar de tudo acredito que ao ver as lágrimas de amor que nasceram aos olhos de seu irmão... deram um sentido menos ruim ao seu acidente, pois assim teve condiçoes de sentir o amor que ele e sua família têm por sua pessoa...e mesmo nos momentos ruins como no seu acidente... sempre recebemos algo de bom ... que no seu caso é ver expresso o amor e a acolhida de sua família...
Melhoras grande Rafa! Forte abraço camarada !

Thiago dos Reis disse...

"eu tenho tudo que preciso bem aqui"

parabéns por isso

p.s. olha por onde anda. sou descuidado, moro em sp, atravesso avenidas maiores que sua cidade todos os dias e não sou atropelado
¬¬

p.s. se eu for atropelado dps disso vou lhe culpar eternamente

Daniel Savio disse...

As vezes a vida nos atropela, mas não quer dizer que gente não fique melhor, certo?

Fique com Deus, menino Rafael.
Um abraço.

Ellen Lacerda (Elinha) disse...

Espero que se recupere logo...
Adoro seus textos!
xero!

Josi Puchalski disse...

Nada mais forte e mais importante do que as pessoas que amamos.

Beijo

Rafael Ayala disse...

"pois eu tenho tudo que preciso bem aqui."
Poxa, fico feliz por ti, por perceber isso, tem gente que precisa perder pra aprender a dar valor (eu incluso em mutias vezes...).

Azar, né? Melhoras pra ti e que tua recuperação seja bem rápida e tranquila.
Abraço!
=]

metrópole

metrópole
Estava chovendo lá fora

Preocupação com simetria, exatidão, ordem, seqüência ou alinhamento