terça-feira, 27 de outubro de 2009

Silenciosas lágrimas


 Acariciou ternamente seus longos cabelos brancos como a própria o fazia quando ainda os tinham negros.
 Levantou-se sem muito ruído para que a mesma não acordasse de um sono profundo.
 Observando o movimento na calçada através da vidraça, pôde acompanhar o ultimo por do sol ao seu lado.
 Despediu-se em silenciosas lágrimas de um amor que jamais teria novamente.
 Enxugou sua face encharcada de pesar e voltou a colocar-se ao lado da mãe como uma criança desamparada.
 Aparentemente cansada com tantas primaveras em sua vida, o final estava sendo exaustivo
 Sua vista castigada custava a enxergar o amado primogênito que ali aguardava a despedida anunciada.
 Enfim, o dia surgiu após uma longa noite em claro,
levando consigo a mãe mais amada de todos os tempos.

(imagem de Ruth "Six feet under")

2 comentários:

Daniel Savio disse...

Cara, sinceramente eu espero que seja apenas um texto literal do que real...

Fique com Deus, menino Rafael.
Um abraço.

Carlos. disse...

as faces da morte,
nos deixam malucos

metrópole

metrópole
Estava chovendo lá fora

Preocupação com simetria, exatidão, ordem, seqüência ou alinhamento