quinta-feira, 25 de março de 2010

Não me abandone


- Eu estou apaixonado por você!
 Disse à ela com todas as palavras
 O mundo parou naquele instante
 Ela estava completamente inerte
 Questionou-me desacreditando
 E eu afirmei com toda a certeza do mundo
 Ela sorriu e voltou a questionar
 Eu me mantive sério diante dela
 Ela nunca havia estado tão confusa
 E eu, tão certo de tudo.

 Nos dias seguintes, aguardando uma resposta
 Só podia pedir em silencio:
- Não me abandone!

terça-feira, 9 de março de 2010

Meus olhos brilham quando...


Meus olhos brilham por tantas coisas
Por amigos verdadeiros, pela felicidade momentânea, pelos que se foram, pelos q vieram
Brilham de maneiras diferentes, com mais intensidade, as vezes com menos.
Pela saudade antecipada de quem partirá mais cedo ou mais tarde
Pela alegria vivida em um tempo bom que se foi e retorna em lembranças muito vivas
Brilha pela vida.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cartas de amor


"A felicidade não tem preço"
 Essa foi a frase que lhe veio à cabeça depois de anos ao lado de alguém que achou que fosse ficar pra sempre.
 Ela não conseguiu suportar tal frase dita pelo amado da década de noventa, o mesmo que lhe mandava flores, recitava poesias... o mesmo que lhe enviava cartas de amor, jurando-lhe felicidade eterna.
"A felicidade não tem preço" assim dizia ele.
Era verdadeiro, mas em vez de acreditar nas palavras escritas nas cartas, apaixonou-se pelo carteiro.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Conversa de rodoviária


- Oi
- Oi, achei que não viesse!
- É... eu não queria que você fosse sem que eu me despedisse antes.
- Que bom que você veio.
- Quero que saiba que eu vou sentir muito a sua falta
- E eu a sua.
- Bom, o ônibus já está partindo, espero de verdade que encontre oque está procurando
- Obrigada por isso, vou fazer de tudo pra buscar a felicidade que não encontrei aqui!
- Não se esqueça de mim, por favor!
- Jamais, eu me lembrarei de você pra sempre
- ok
- bom... eu tenho que ir agora.
- Adeus!
- Adeus!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A unica


 Ao chegar em casa, exausto de mais um dia de trabalho
colocou-se a lembrar do que havia feito, a prestar contas de suas ações
 Pela manhã ele preparava um discurso pra se declarar à garota amada,
um discurso que já era planejado a algum tempo, algo que treinava em frente o espelho à semanas.
 E lá estava ela na praça por acaso, acompanhada e feliz.
 Brincou fingindo não conhecê-lo, ele sorriu, ela voltou e o abraçou
 Ele cumprimentou seu namorado voltando seus olhos à ela
 Perguntou se estava tudo bem, pois adoecera dias antes
 Ela disse que sim e agradeceu sua visita ao hospital
 Disse ainda que o namorado a visitara todos os dias, enquanto ele foi apenas uma vez.
 Ele sorria por fora, mas estava quebrado por dentro
 Foi então que resolveu despedir-se com a desculpa de que ela iria se atrasar pra onde quer que fosse
 Ela então se foi de mãos dadas com o amante.
 E ele aos cacos, ergueu-se e conseguiu chegar em casa.
 Agora em frente o espelho novamente, viu seu discurso tão esperado descer ralo abaixo junto com a espuma do banho que acabara de tomar.
 Sentou-se nu sobre o vaso sanitário com um cigarro na boca e chorou até suas lágrimas secarem.
 A unica coisa pra qual vivia, que ainda o segurava na cidade, deixara de existir.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Samba de verão



 O modo como vejo o mundo tem mudado tanto ultimamente
 Há dias em que enxergo as coisas ao meu redor totalmente diferente do que elas são.
 Seria uma tentativa minha de fugir da assustadora realidade ou de simplesmente tentar contornar o triste fato de que o tempo não vem me dando trégua?
 Tudo que peço é apenas um tempinho pra andar devagar, ouvir o samba de verão por Caetano numa rede sem dar importância a coisa alguma.
 As lembranças de um tempo n’outro espaço tem voltado com tanta frequência
 Que eu apenas peço a quem quiser ouvir:
- Me leva daqui, eu era tão feliz!

(Dedicado à Jaime Neto)

(foto do Leozinho)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Beija-flor


 La estava ele beijando as flores
 Servindo de plano de fundo para os namorados em plena primavera
 Batendo as asas tão rápido que meus olhos não podiam acompanhar
 O dia ameaçou chover
 Havia tanto a explorar
 Mas algo o atraía tanto que o pobre adentrou o recinto pela porta dianteira
 Avistou todo aquele céu artificial branco
 Ao vasculhar o local, notou que não havia oque mais lhe importava, as flores.
 Tentou sair mas já estava preso em vidros que mostravam seu ambiente externo
 Desesperado, chocou-se contra as vidraças que nem se moviam
 Humanos tentaram ajudar o pobre pássaro, que assustado não compreendeu que era uma tentativa de salvá-lo.
 Depois de um tempo pousou bem no alto do amplo céu interno, estava cansado de lutar, mas seus olhos brilhavam por uma excitação momentânea, com a esperança de sair daquele lugar
 Deixei o trabalho naquela noite trancando o pequeno beija flor que no teto ficou.
 Pela manhã ao abrir a porta la estava ele no chão, olhando fixamente para o nada.
 Entregue.
 Eu o acolhi em minhas mãos e senti que ele respirava
 Tentei reanimá-lo, em vão.
 Ao levá-lo pra fora, percebi que já era seu fim
 O pobre passarinho se foi após um breve suspiro quando seus olhos viram a luz do dia novamente.
 Agora sem vida, lá  estava ele, rodeado por flores e livre dos vidros que o cercou
 E a chuva que ameaçara cair antes de sua prisão, não veio.

metrópole

metrópole
Estava chovendo lá fora

Preocupação com simetria, exatidão, ordem, seqüência ou alinhamento